terça-feira, 7 de agosto de 2012

Reformadores do Espiritismo


 Os Reformadores do Espiritismo estão por ai, disseminados em inúmeras obras que se auto intitulam como sendo espíritas mas que vão contradizendo de maneira paulatina os princípios básicos da Doutrina Espirita. Reformam sem demonstrar que estão reformando, adulteram sem demonstrar que estão adulterando. Como conseguem fazer isso? De uma maneira simples que poderia ser evitada com o estudo e valorização das orientações que encontramos na codificação quando nos orienta sobre como identificamos a natureza de um espírito, quais os indícios que nos permitem saber se um espírito age com respeito, seriedade e compromisso ou não, e definitivamente algumas características negativas como "profecias" (dentre outras) são amplamente defendidas e utilizadas pelos "reformadores do espiritismo", claro que tudo isso embalado em doces palavras, repetindo sobretudo as palavras-chave Jesus e Amor à profusão. E já dizia um discípulo de que não bastaria dizer "Jesus, Jesus" para ser de fato um seguidor...

  Pois bem, embalados nas doces palavras não se dão conta de que vão lentamente contrariando a codificação que alegam seguir, chegam até mesmo a exortar Kardec para já em seguida contradize-lo, exaltam também a Doutrina para imediatamente jogarem-na para escanteio oferecendo em troca algo que acreditam ser melhor, mas que é tão bom que necessita do nome "espiritismo" para ser aceito. Talvez se fosse bom de verdade seria aceito pelo que é e não pelo que procura desfigurar, destruir.

  Enfim, ai estão os "reformadores do espiritismo", e ai dos pobres "obsediados" que ousarem relembrar princípios doutrinários, deverão ser taxados disso: retrógrados, incapacitados para o amor, laicos, obsediados, presunçosos, dentre outras adjetivações negativas possíveis de se aplicar. São culpados e adjetivados por se negarem a seguir com a "manada", a seguirem os modismos.

  Talvez o mais característico seja notar que a Doutrina Espirita se distingue e se distancia de todas as demais filosofias e expressões de religiosidade por tomar uma base de profunda humildade; é a única que não apregoa "verdades imutáveis", pelo contrário, conclama seus seguidores a exercerem o senso crítico e avaliarem detidamente tudo aquilo produzido sob a chancela de "espírita", não teme se colocar diante da ciência e até mesmo propagar que diante de uma constatação de que algum princípio se encontra equivocado, é responsabilidade (notem o peso da palavra responsabilidade) de que seus adeptos abandonem tal princípio e adotem a correção trazida pela ciência. Não é uma obra de um único homem, seja o codificador, seja quem a ditou, pelo contrário, é uma obra produzida coletivamente que traz um conceito expresso apenas posteriormente pela ciência dos "coletivos inteligentes", dentre outros que poderiam ser associados a essas práticas adotadas desde o princípio pela Doutrina. E exatamente nessa linha em que se fundamenta, lança também as diretivas para que as produções futuras não escapem desse modelo enveredando pelo personalismo. Mas o que buscam os "reformadores do espiritismo"? Exatamente subverter esse princípio trocando a produção coletiva pela imposição de um único ou de poucos. E conceitos estranhos como "infalibilidade mediúnica" ou "infalibilidade do espírito embora o médium possa falhar" tomam o lugar das orientações doutrinárias que visam combater essa chaga do personalismo.

  É assim que vemos nascer, dentre outros, Roustaing, Pietro Ubaldi, Osvaldo Polidoro, etc., etc., etc., que de um jeito ou de outro jogam a codificação a escanteio, alegando que se encontra ultrapassada e propõem que em seu lugar se adote aquilo que produziram individualmente. É exatamente o corolário oposto daquilo que a doutrina nos exorta. E muitos cedem pelas palavras doces com que se revestem tais distorções da Doutrina.

  Fanáticos pululam e se exasperam ao menor ruído propondo que incorreções sejam retiradas (conforme orienta a Doutrina) e que em seu lugar a correção seja disseminada, alegam que tal "heresia" seria adulterar a Doutrina, oras, a negação de se seguir o preceito doutrinário que indica que isso deve ser feito é o que? Não seria a negação de se seguir os princípios doutrinários a primeira e mais básica de todas as "heresias" que adulteram a Doutrina? Pois é nesse interminável duelo entre seguir ou não seguir as orientações doutrinárias que surgem argumentos completamente distanciados dos fundamentos doutrinários, embasados unicamente em opiniões pessoais, via de regra movidos apenas por emoções, que acabam obstruindo que a humanidade possa conhecer a Doutrina espirita em sua totalidade, em sua tríplice fundamentação (ciência, filosofia e moral - conforme o original em Francês), e mais do que impedir que se conheça, obstruem também que se vivencie a doutrina em sua totalidade. Estranhamente adotam um único viés, mas não se ruborizam de recorrer a citação de que a Doutrina é também ciência e filosofia quando acuados diante de argumentos contrários a seus pontos de vista, recorrem justamente a aquilo que obstruem a livre expressão e vivencia, com a argumentação de que constituem um viés desprovido de caridade, amor ao próximo, etc.

  Assumem uma postura de que a Doutrina Espírita é uma religião, embora encontremos em seus alicerces que ela somente pode ser classificada como tal no aspecto filosófico. Mais do que isso, alegam que estão resgatando os princípios dessa religião que teria sido adulterada com o passar do tempo por organizações humanas; estranhamente todas suas comunicações, todo seu embasamento reza pela cartilha da instituição que seria a principal culpada pelas deturpações. Mas uma verdade subsiste nessa argumentação; pois que procedem da mesma maneira que no passado procederam, com a distorção dos ensinos de alguém e com a transformação desses ensinos numa religião, algo que nunca foi proposto pelo "fundador", mas a ele imposto pelos "seguidores". Os frutos vemos sendo colhidos, já se busca diante das leis o reconhecimento da figura de "autoridade religiosa do espiritismo", título a ser conferido a médiuns ou dirigentes espíritas para que assumam um papel que é destituído de qualquer fundamento doutrinário, pelo contrário, exposto como incorreto perante a Doutrina, aceitável para religiões tradicionais.

Fonte: Coerência Espírita

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