quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A reação pode agravar a situação.


  Abuzit, famoso naturalista, morava em Genebra.
  Todas as manhãs, com a maior cautela, ele media a pressão do ar e anotava-a cuidadosamente.
  Assim ele procedia, seguindo a marcha de seus estudos, ha vinte e dois anos.
  Um dia, uma nova criada começou o serviço por uma grande limpeza no seu gabinete de trabalho.
  Abuzit, ao entrar, perguntou-lhe preocupado: "onde você pôs os papéis que estavam aqui, junto ao barômetro?"
  "Queimei-os, senhor." - respondeu a moça com tranqüilidade -"estavam sujos e amarelados.
  Mas não se preocupe, patrão, porque coloquei papel limpo no lugar deles."
  O naturalista, num relance, deu-se conta do desastre.
  A jovem, por ignorância, havia atirado ao fogo todas as tabelas numéricas, destruindo o trabalho metódico e paciente de vinte e dois anos.
  O que lhe disse, então o sábio?
  Cruzou os braços, quem sabe para reprimir a tempestade que ameaçava se desencadear nele, e depois falou-lhe com serenidade: "você acaba de atirar ao fogo o resultado de vinte e dois anos de trabalho.
  De hoje em diante, peço-lhe encarecidamente que não toque em coisa alguma que estiver no meu gabinete."
  Reagir violentamente às ofensas e aos prejuízos que nos atingem as fibras mais íntimas não resolve os dramas estabelecidos.
  Ao contrário, em geral a reação violenta costuma causar novos males, em um ciclo contínuo.
  Paulo, o apóstolo dos gentios, orienta-nos que não devemos deixar que o sol se ponha sobre nossa cólera.
  Jesus, irmão e mestre, convida-nos à reconciliação com os nossos inimigos, enquanto estamos a caminho.
  Ele nos ensina que o sacrifício mais meritório aos olhos de Deus é aquele que diz respeito ao ressentimento superado pela criatura.
  Questionado sobre tal tema, Jesus afirmou que devemos perdoar não apenas sete vezes a ofensa recebida, mas sim, setenta vezes sete vezes.
  Estabeleceu, assim, o perdão incondicional e ilimitado.
  O exercício do perdão ensina às criaturas o esquecimento de si mesmas, tornando-as invulneráveis às injúrias e aos maus procedimentos.
  Além disso, o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal sofrido.
  Não há nenhum merecimento em relevar agravos que não passam de simples arranhões e que não nos atingiram efetivamente.
  Tampouco pode o perdão das injúrias ser um termo vão, que atinge apenas os lábios.
  O verdadeiro perdão é aquele que lança um véu sobre o passado, esquecendo completa e absolutamente qualquer ofensa.
  Somos responsáveis também pelos nossos pensamentos, os quais, todos, são conhecidos do Pai Criador, que sabe o que pulsa no coração de cada um de seus filhos.
  Ele não se satisfaz com meras aparências, sondando o recesso de nossos corações e nossos mais secretos pensamentos.
  Extirpemos de nossa intimidade qualquer sentimento de rancor, a fim de sermos merecedores do perdão que nós próprios pleiteamos perante Deus.

  Pense nisso!
Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio.
Perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade.
Perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era.
Perdoemos a fim de que Deus nos perdoe, porque se formos intransigentes e inflexíveis para com nossos irmãos, como poderemos querer que o pai seja indulgente para com as nossas faltas?
Pensemos nisso!

Fonte: R.M.E.

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