segunda-feira, 30 de junho de 2014

A força e a coragem.


É preciso ter força para ser firme,
mas é preciso coragem para ser gentil.

É preciso ter força para se defender,
mas é preciso coragem para baixar a guarda.

É preciso ter força para ganhar uma guerra,
mas é preciso coragem para se render.

É preciso ter força para estar certo,
mas é preciso coragem para ter dúvida.

É preciso ter força para manter-se em forma,
mas é preciso coragem para ficar em pé.

É preciso ter força para sentir a dor de um amigo,
mas é preciso coragem para sentir as próprias dores.

É preciso ter força para esconder os próprios males,
mas é preciso coragem para demonstrá-los.

É preciso ter força para suportar o abuso,
mas é preciso coragem para fazê-lo parar.

É preciso ter força para ficar sozinho,
mas é preciso coragem para pedir apoio.

É preciso ter força para amar,
mas é preciso coragem para ser amado.

É preciso ter força para sobreviver,
mas é preciso coragem para viver.

Se você sente que lhe faltam a força e a coragem,
peça a Deus que o(a) abrace hoje com seu calor e Amor!

E que o vento possa levar-lhe uma voz que lhe diz que há um Amigo, em algum lugar do Mundo, desejando que você esteja bem e que, acima de tudo, seja muito feliz!

E que há um Deus que tudo pode, e que guia os seus passos, por onde quer que você ande!

Autor: Lourival Silveira
Fonte: e-mail da diretoria CEAL

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O domínio da mediunidade.


  Diz-nos a espiritualidade que a mediunidade é inerente ao espírito, ou seja, cada um de nós, seja encarnado ou desencarnado, possui mediunidade. Essa afirmação pode ser encontrada nas obras fundamentais, conhecidas como pentateuco espírita e em muitos outros livros da doutrina.

  Mas a pessoa que tem algumas das faculdades mediúnicas despertando no momento, encontra-se geralmente em aflição, cheia de dúvidas e pode até achar que está doente devido aos sintomas.

  Dentre formigamentos na cabeça, dores de cabeça, cansaço, noites mal dormidas, movimentos involuntários, peso nos ombros, variações de humor repentinas e sem motivos, entre outros sintomas, podemos ter a noção de que algo nos acontece e antes de adotarmos como responsável a mediunidade, recomendado é que se busque um médico para verificar se não é um problema físico.

  Descartada a hipótese de doença, busquemos a casa espírita para a elucidação do que nos ocorre e, uma vez confirmada a mediunidade, preciso se faz que se desenvolva-a corretamente para a manutenção do equilíbrio espiritual.

  Não existe um interruptor que desligue a mediunidade, mas é possível amenizar as interferências que ela nos causa mediante o esforço de cada um. O segredo está no estudo! Quem se esforça em aprender mais sobre a espiritualidade e se aplica no caminho do bem, ganha bônus ou créditos e pode receber o concurso de um espírito de luz, o qual proteger-te ás da perturbação de outros irmãos menos esclarecidos.

  Nas obras psicografadas do espírito André Luiz, chama-nos a atenção um trecho em que um espírito de luz (superior) necessita do auxílio de um espírito intermediário ou medianeiro para orientar um espírito menos esclarecido (inferior em conhecimento e condutas morais). Isso ocorre porque um espírito de luz não é visível ou audível a um espírito de baixa vibração e para que o fizesse ser, precisaria despender enorme esforço para baixar sua vibração e então se comunicar.

  Uma forma de se evitar isso é justamente fazer uso de um espírito que se esforça na reforma interior no caminho do bem e muitas vezes que desencarnou à pouco tempo, mas que ainda possui muitas arestas a aparar e por isso é perfeitamente visível ao espírito sofredor que se quer socorrer. Nesse caso então, o espírito de luz espalma sua mão na nuca do espírito medianeiro e vê-se fios de luz se entrelaçarem com o perispírito dele, afim de permitir a comunicação. Assim, quando o espírito medianeiro falar, este na verdade estará transmitindo a voz do espírito de luz e poderá ser facilmente ouvido pelo espírito de baixa vibração.

  Portanto, notamos aqui que mesmo quando desencarnados somos médiuns e não haveria motivo para não sermos quando encarnados. O que muda é o fato de estarmos em um invólucro material, nosso corpo físico, o qual pode ter ou não a mediunidade permitida de forma mais ou menos ostensiva. Observe que a mediunidade pode ser suprimida, assim como nossas recordações do passado também o são, evitando assim que isso nos atrapalhe no progresso evolutivo.

  Se antes de encarnar for determinado que aquele espírito terá mediunidade ostensiva, seu corpo físico será preparado para isso. A glândula pineal será desenvolvida de acordo com a necessidade e a interface entre o mundo físico e o mundo espiritual poderá ser mais fácil, tal como uma ponte que pode ser baixada para se acessar o outro lado do rio.

  Este artigo não contém todas as informações para o correto desenvolvimento mediúnico e longe está de conter toda a verdade ainda oculta aos nossos olhos da carne, mas pode lhe servir de orientação para o esclarecimento de dúvidas que eu mesmo um dia tive.

  Se você deseja desenvolver corretamente sua mediunidade, recomendo que procure um centro espírita, estude com dedicação a codificação espírita e principalmente o evangelho e principalmente faça a reforma íntima mudando suas más inclinações para bons pensamentos e atos de amor. O caminho não é fácil, mas servir com amor é sempre garantia de benefícios maiores no futuro!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Comparando-nos com os outros.


  Em um mundo onde a competição toma conta das relações, os modelos são sempre superlativos.
  Precisamos ser os mais rápidos, desejamos ser os mais belos, lutamos para ser os mais fortes.
  Comparamo-nos o tempo inteiro, e parece que a perfeição está sempre no outro.
  No corpo da apresentadora de TV, na grande demonstração de afeto da esposa do vizinho, no grande emprego conseguido pelo ex-colega da faculdade, etc.
  O escritor e educador Rubem Alves vê na comparação um exercício dos olhos:
  Vejo-me - estou feliz. Vejo o outro. Vejo-me nos olhos do outro - ele tem mais do que eu.
  Vendo-me nos olhos dos outros eu me sinto humilhado. Tenho menos. Sou menos.
  O autor narra que ele mesmo só descobriu que era pobre quando deixou o interior de Minas para morar no Rio, e foi parar num colégio de cariocas ricos.
  Então, começou a se sentir diferente, falava com sotaque caipira, não pertencia ao mundo elegante dos colegas, e sentiu vergonha de sua pobreza.
  Até então, Rubem morava com uma família numa casa velha de pau-a-pique, numa fazenda emprestada.
  Diz ele: Eu sou muito ligado a esse passado, foi um período de grande pobreza, mas eu não sabia que era pobre.
  O sentimento da infelicidade nasce da comparação. Foi um momento de grande felicidade, um período sem dor. Só dor de dente, dor de espinho no pé.
*   *   *
  Baseados nisso tudo podemos questionar: Como não se comparar? Como viver sem referência alguma?
  Não seria possível, obviamente. A não ser que nos ilhássemos definitivamente - uma solução que traria uma centena de outras conseqüências negativas.
  Como lidar equilibradamente com tudo isso, então?
  Uma primeira idéia seria a de cuidar para que a competição não tome conta das relações, sejam elas afetivas, familiares ou profissionais.
  Se isso acontecer - e normalmente acontece - que tal transformar a competição em cooperação?
  Como? Percebendo que não estamos nas relações apenas para dar e receber, e sim para cooperar, construir um bem comum.
  Ver os outros como companheiros e não como adversários faz uma grande diferença.
  Uma segunda resolução seria buscar ver a vida do outro como ela realmente é, e não como julgamos que ela seja.
  Estamos num mundo de provas e expiações, onde os embates contra nossas imperfeições, ainda insistentes, são constantes. E essas pelejas não poupam ninguém.
  Todos temos conflitos, inseguranças, cometemos equívocos e sofremos as consequências do que plantamos.
  As leis maiores do Universo regem a vida de todos igualmente. Não há favorecidos nem desajudados por Deus.
  Ver a perfeição, a felicidade, apenas naquilo que não se tem ou no que os outros têm, é um tipo de comportamento que só gera insatisfação.
*   *   *
  Allan Kardec em seu O evangelho segundo o Espiritismo trouxe um esclarecimento especial a respeito do homem de bem.
  Diz ele que o homem de bem é aquele que estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las.
Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

Fonte: R.M.E.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Vibrem por amor!


As mentes se excitam,
o momento é delicado,
são forças que prejudicam,
o equilíbrio antes conquistado.

Fazei brilhar a vossa luz,
pela prece que clama ajuda,
buscando no evangelho de Jesus,
o amor aos que protestam na rua.

Não deixe que o mau se estabeleça,
conserva-te em equilíbrio e harmonia,
elevando o pensamento para que nos apareça,
uma solução trazendo paz, amor e alegria.

Se o ímpeto nos é difícil conter,
por trás certamente algo haverá,
sabemos que não é impossível o fazer,
pois as boas vibrações o mal combaterá.

A festa que preparam não nos agrada,
o momento não é ideal para gastos,
em meio a multidão estoura a granada,
e mais dores surgem com os estilhaços.

Oh povo cansado de lutar,
precisa buscar mudanças sem violência,
é hora de todo o povo se ajuntar,
dando a resposta nas urnas com decência.

O mundo todo está a nos assistir,
mas há alguém que nos observa a muito tempo,
um homem que um dia nos ensinou a repartir,
a casa, a roupa, o coração e o alimento.

Que exemplos podemos dar,
se com violência estamos agindo,
temos que nas atitudes meditar,
outras nações para cá estão vindo.

Se o Brasil quiser ser a pátria do evangelho,
muito ainda temos que aprender com o mestre,
não sabemos dar valor ao pobre velho,
que um dia lutou tanto para os filhos deixar um casebre.

Orem todos pelos dias seguintes,
de pão e circo estamos cansados,
nas ruas ainda há muitos pedintes,
mas o futebol ainda ilude os pobres e desempregados...

Que esta nação possa despertar,
encontrando uma forma de melhor viver,
buscando no amor a arma para reivindicar,
as mudanças que toda a nação quer ver!

domingo, 15 de junho de 2014

Os sinais de Jesus.


  Na nossa maneira de nos expressarmos, comumente pedimos ao Senhor que nos apresente um minuto de colóquio, uma palavra de incentivo, uma demonstração de sua presença ao nosso lado.

  Nas orações durante as aflições, exigimos a visão dos anjos guardiões ao nosso redor, instruindo-nos, guiando-nos e as vezes queremos até que eles nos livrem do mal sem que tenhamos que sofrer, tal como se fôssemos dignos de uma proteção além da que já temos.

  Jesus nos dá sinais de sua presença a todo instante. Ele está no mendigo ao chão que come as migalhas de pão, que pede ajuda ao irmão. Ele está no pássaro que voa e plana no céu, exibindo ternura e harmonia, embelezando a paisagem e mantendo o equilíbrio da natureza. Ele está na árvore sedenta de água, que clama pela chuva que não cai à dias e que nós poderíamos regar por obséquio. Ele está no menino que sonha em estudar e ser médico, advogado ou piloto, mas que não tem condições de comprar o livro, livro este que muitas vezes está empoeirado na nossa prateleira há anos e que não usamos mais.

  Como não encontrar Jesus em nossas vidas? Há tantos sinais do mestre, na sua bondade infinita, no seu amor eterno. Suas lições deveriam ter despertado em nós a sensibilidade de vê-lo, mas continuamos endurecidos. Vemos o celular caro na prateleira, mas não vemos o cachorro abandonado nas ruas. Vemos o carro novo no comercial, mas não vemos a nossa obrigação de eleger um político melhor. Vemos o prato de macarronada com molho quentinho nas nossas mesas, mas não vemos o irmão com frio, sem roupas.

  Como pedir para Jesus se mostrar se não estamos prontos para vê-lo?

  Meus amados companheiros de viagem, pois a vida é uma viagem pelo solo bendito da Terra que habitamos, Jesus sinaliza-nos à cada instante, chama-nos ao serviço caridoso à cada momento e mesmo assim não o vemos. Nós temos olhos de ver? Temos ouvidos de ouvir? Se temos, vejamos ou ouçamos, pois somos nós quem temos imposto barreiras para a presença do mestre em nossas vidas.

  Reflitamos, pois, para que possamos colocar nossos corações mais próximos Daquele que sempre nos amou desde o princípio e nunca nos abandonou!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Realizando sonhos...


  A mídia falada, escrita, televisiva, vez ou outra, enfoca as lutas, agruras e conquistas de pessoas famosas.
  São astros da música, do cinema, da televisão que tiveram infância difícil, com ou sem pais, sem pão, sem abrigo.
  Alguns desses, bem sucedidos no momento, não esquecem suas origens e, recordando o sofrimento passado, se transformam em mãos abençoadas, distribuindo favores, atendendo necessidades.
  Outros, contudo, se transformaram em pessoas egoístas que, por terem sofrido muito, se acham agora em pleno direito de tudo usufruir, gozar. Esses, pensam somente em si.
  Quando recordam o passado, o fazem de forma amargurada, afirmando que tudo lhes é devido, tudo merecem, por terem padecido em anos passados.
  Mas, não são somente famosos que têm histórias interessantes.
  Existem pessoas anônimas, pelo mundo, que alcançaram êxitos ainda mais surpreendentes e frutos mais saborosos.
  A diferença é que não são focalizados pela mídia.
  São pessoas sem beleza exterior exuberante. Pessoas como a alagoana Rosa Célia Barbosa. Pequena, metro e meio de fortaleza moral e vontade de vencer.
  Aos 7 anos, Rosa foi largada num orfanato, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Chorou durante meses.
  Toda mulher de saia que via, ela achava que era a sua mãe que a vinha buscar. Depois de um tempo, desistiu...
  Rosa Célia fez vestibular de Medicina quando morava, de favor, num quartinho e trabalhava para se manter.
  Formou-se e decidiu se dedicar à cardiologia neonatal e infantil, quando estava no Hospital da Lagoa, no seu Estado de origem.
  Sem saber inglês, meteu na cabeça que teria que estudar em Londres, com nada menos que a maior especialista no mundo, Jane Sommerville.
  Estudou inglês e conseguiu uma bolsa. Em Londres, era motivo de gozação dos colegas ingleses por causa de seu inglês ruim.
  Mas, quando acertou um diagnóstico difícil numa paciente escocesa, que examinou por oito horas seguidas, ela ganhou o respeito geral.
  Ao lembrar do fato, Célia, divertida, diz que o inglês da paciente era ainda pior do que o seu próprio.
  De Londres, Rosa Célia foi direto para Houston, nos Estados Unidos, como escolhida e convidada.
  Foi então que descobriu estar grávida. Pediu 24 horas para pensar e optou pelo filho, retornando para o Rio de Janeiro.
  Todo ano viaja para estudar. Passa, no mínimo, um mês no Children´s Hospital, em Boston, Estados Unidos, trabalhando 12 horas por dia.
  No Rio de Janeiro, abriu consultório, reassumiu seu lugar no Hospital da Lagoa e já mereceu destaque em reportagem que apontou os melhores médicos daquele Estado.
  Chefia um sofisticado Centro Cardiológico, onde são tratados casos limite, histórias tristes.
  Hospital privado, caríssimo. Mas ela achou um jeito de operar ali crianças sem posses.
  Criou uma ONG, consegue dinheiro com amigos e empresários e já conseguiu que fossem atendidas 500 crianças. 120 foram operadas.
  Rosa Célia não tem fotos na mídia, nem brilha nas passarelas da moda.
  Talvez nunca sua vida se torne um filme e diga ao mundo o que ela fez.
  Mas ela sabe e tem certeza de que alcançou o seu sonho: Sonhei a vida inteira, diz ela. E consegui. Não importou ser pobre, ser órfã, ser mulher, baixinha, alagoana. Eu consegui.
  Rosa Célia, um exemplo de quem perseguiu um sonho e o tornou uma feliz realidade.
  Um exemplo para seguir, para insuflar coragem de lutar, para afirmar a muitos de nós que não devemos desistir dos nossos sonhos. Nunca.
* * *
  Conquistas, sem amor, são efêmeras. Quando a criatura se reveste de amor, esparze, enquanto se felicita pelas metas alcançadas, júbilos e bênçãos ao seu redor.
  Ama, pois, sonha e sê feliz, porque onde quer que esteja, a criatura humana é o grande investimento da Divindade.

Fonte: R.M.E.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A revolta pode não ser o melhor caminho.



  Em tempos de Copa do Mundo e de mudanças no governo de nossa nação brasileira, tenho visto muitos protestos e um uso indevido das redes sociais que ao invés de ajudar na solução do problema, apenas tem causado mais revoltas.

  Agora mesmo acabei de ver uma reportagem onde jornais sensacionalistas estão distorcendo as informações e causando pânico geral, como se o único interesse fosse vender, quando deveria ser o de informar a população. Acho que o caminho não é esse, creio que a verdade seja sempre o melhor a se dizer. Quem quiser verificar essas notícias, elas estão no link aqui.

  É certo que nosso Brasil, pátria do Evangelho, precisa de mudanças. Concordo também que temos que nos unir e votar conscientes. Mas não acredito que os protestos violentos serão a solução. Tão pouco as publicações nas redes sociais que recriminam ou acusam os governantes e que muitas vezes nem foram verificadas quanto a veracidade. Cada um de nós será julgado por Deus, não cabe ao homem julgar o homem, pois todos somos imperfeitos.

  Calma, não sou partidário do atual partido político dominante e nem apoio a corrupção, mas aprendi que cada povo tem o governo que merece e devemos lembrar que se a atual presidente está no poder é porque nós a elegemos. Mesmo que você não tenha votado nela, na hora do voto, somos todos por um e um por todos.

  Para me fazer compreender melhor, acho que precisamos buscar a sabedoria no mestre Jesus. Trago-vos abaixo um acontecimento na vida do mestre e que foi narrado no livro "Lázaro Redivivo", ditado pelo espírito Irmão X e psicografado por Francisco Cândido Xavier. Podemos comparar nossas atitudes com as atitudes daquele povo ignorante de 2.000 anos atrás e veremos que ainda há muita semelhança. Ninguém deve mudar de opinião porque eu estou pedindo, mas todos que lerem este texto devem cuidadosamente refletir nos ensinamentos que ele nos traz. Que a paz esteja com todos!

Capítulo 35 - RETIROU-SE, ELE SÓ

  Quando Jesus se fazia acompanhar pela multidão, na manhã rutilante, refletia, amorosamente, consigo mesmo:

  Ensinara as lições básicas do Reino de Deus aos filhos da Galiléia, que o seguiam naquele instante divino... Todos permaneciam agora cientes do amor que devia espraiar-se sobre as noções da lei antiga! que não poderia Ele fazer daqueles homens e mulheres bem informados? Poderia, enfim, alongar-se em maiores considerações, relativas ao caminho de retorno da criatura aos braços do Pai. Dilataria os esclarecimentos do amor universal, conduziria a alma do povo para o grande entendimento. Decifraria para os filhos dos homens os enigmas dolorosos que constrangem o coração. Para isso, porém, era indispensável que compreendessem e amassem com o espírito... Quantas pequenas lutas em vão? quantos atritos desnecessários? A multidão, por vezes, assumia atitudes estranhas e contraditórias.

  Diante dos prepostos de Tibério, que a visitavam, aplaudia delirantemente; todavia, quando se afastavam os emissários de César, manchava os lábios com palavras torpes e gastava tempo na semeadura de ódios e divergências sem fim... Se aparecia algum enviado do Sinédrio, nas cidades que marginavam o lago, louvava o povo a lei antiga e abraçava o mensageiro das autoridades de Jerusalém. Bastava, entretanto, que o visitante voltasse as costas para que a opinião geral ferisse a honorabilidade dos sacerdotes, perdendo-se nos desregramentos verbais de toda espécie... Oh! sim – pensava - todo o problema do mundo era a necessidade de amor e realização fraternal!

  Sorveu o ar puro e contemplou as árvores frondosas, onde as aves do céu situavam os seus ninhos. Algo distante o lago era um espelho imenso e cristalino, refletindo a luz solar. Barcas rudes transportavam pescadores felizes, embriagados de alegria, na manhã clara e suave. E em derredor das águas deslumbrantemente iluminadas, erguiam-se vozes de mulheres e crianças, que cantavam nas chácaras embalsamadas de inebriante perfume da Natureza.

  Agradecia ao Pai aquelas bênçãos maravilhosas de luz e vida e continuava meditando.

  - Porque tamanha cegueira espiritual nos seres humanos? não viam, porventura, a condição paradisíaca do mundo? porque se furtavam ao concerto de graças da manhã? Como não se uniam todos ao hino da paz e da gratidão que se evolava de todas as coisas? Ah! toda aquela multidão que o seguia precisava de amor, a fim de que a vida se lhe tornasse mais bela. Ensiná-la-ia a conferir a cada situação o justo valor. Quem era César senão um trabalhador da Providência, sujeito às vicissitudes terrestres, como outro homem qualquer? não mereceria compreensão fraternal o imperador dos romanos, responsável por milhões de criatura? algemado às obrigações sociais e políticas, atento ao superficialismo das coisas, não era razoável que errasse muito, merecendo, por isso mesmo, mais compaixão? E os chefes do Sinédrio? não estavam sufocados pelas orgulhosas tradições da raça? poderiam, acaso, raciocinar sensatamente, se permaneciam fascinados pelo autoritarismo do mundo?

  Oh! refletia o Mestre – como seria infeliz o dominador romano, a julgar-se efetivamente rei para sempre, distraído da lição dura da morte! Como seria desventurado o Sumo Sacerdote, que supunha poder substituir o próprio Deus!... Sim, Jesus ensinaria aos seus seguidores a sublime sabedoria do entendimento fraternal!

  Tomado de confiante expectativa, voltou-se o Messias para o povo, dando a entender que esperava as manifestações verbais dos amigos, e a multidão aproximou-se d’Ele, mais intensamente.

  Alguns apóstolos caminhavam à frente dos populares, em animada conversação.

  – Rabi – exclamou o patriarca Matan, morador em Cafarnaum –, estamos cansados de suportar injustiças. É tempo de tomarmos o governo, a liberdade e a autonomia. Os romanos são pecadores devassos, em trânsito para o monturo. Estamos fartos! É preciso tomar o poder!

  Jesus escutou em silêncio, e, antes que pudesse dizer alguma coisa, Raquel, esposa de Jeconias, reclamou asperamente:

  – Rabi, não podemos tolerar os administradores sem consciência. Meu marido e meus filhos são miseravelmente remunerados, nos servias de cada dia. Muitas vezes, não temos o necessário para viver como os outros vivem.

  Os filhos de Ana, nossa vizinha, adulam os funcionários romanos e, por esse motivo, andam confortados e bem dispostos!...

  – À revolução! à revolução! – clamava Esdras, um judeu de quarenta anos presumíveis, que se acercou, desrespeitosamente, como adepto apaixonado, concitando o líder prudente a manifestar-se.

  – Rabi – suplicava um ancião de barbas encanecidas –, conheço os prepostos de César e os infames servidores do Tetrarca. Se não modificarmos a direção do governo, passaremos fome e privações...

  Escutava o Senhor, profundamente condoído. Verificava, com infinita amargura, que ninguém desejava o Reino de Deus de que se constituíra portador.

  Durante longas horas, os membros da multidão recriminaram o imperador romano, atacaram patrícios ilustres que nunca haviam visto de perto, condenaram os sacerdotes do Templo, caluniaram autoridades ausentes, feriram reputações, invadiram assuntos que não lhes pertenciam, acusaram companheiros e criticaram acerbamente as condições da vida e os elemento atmosféricos...

  Por fim, quando muito tempo se havia escoado, alguns discípulos vieram anunciar-lhe a fome que castigava homens, mulheres e crianças. André e Filipe comentaram calorosamente a situação. Jesus fitou-os de modo significativo, e respondeu, melancólico:

  – Pudera! Há muitas horas não fazem outra coisa senão murmurar inutilmente!

  Em seguida, espraiou o olhar através das centenas de pessoas que o acompanhavam, e falou comovidamente:

  – Tenho para todos o Pão do Céu, mas estão excessivamente preocupados com o estômago para compreender-me.

  E tomado de profunda piedade, ante a multidão ignorante, valeu-se dos pequenos pães de que dispunha, abençoou-os e multiplicou-os, saciando a fome dos populares aflitos.

  Enquanto os discípulos recolhiam o sobejo abundante, muitos galileus batiam com a mão direita no ventre e afirmavam:

  – Agora, sim! estamos satisfeitos!

  Contemplou-os o Mestre, em silêncio, com angustiada tristeza, e, depois de alguns minutos, entregou o povo aos discípulos e, segundo a narração evangélica, “tornou a retirar-se, ele só, para o monte”.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os tesouros da alma.


  De posse de ouro, jóias, bens materiais que lhe serviram de luxo enquanto encarnado, o homem ao abandonar o corpo físico nada leva consigo. O desapego precisa ser praticado tanto para os bens materiais quanto com as pessoas com quem convivemos. No retorno à pátria espiritual estaremos de posse do conhecimento e dos sentimentos, nada além disso.

  De que lhe adiantou então acumular tantos bens sem poder usufruí-los após a morte? De nada, na verdade, o acúmulo para si lhe servirá apenas de lição de que agiu errado ao não compartilhar com o próximo. Quantos colecionadores se arrependem de terem guardado suas coleções raríssimas apenas para exibição e ostentação durante a vida terrena. Já no plano espiritual, choram pelo orgulho e pela vaidade que lhes tomou conta.

  Ao corpo pertence o que é matéria, ao espírito, pertencem as virtudes, a inteligência a nossa moral. No plano espiritual teremos a chance de mostrarmos nossa evolução e de nada adiantará querer guardar um lugar no céu com teu ouro ou teu dinheiro, somente terás algo de sua posse se tiveres se aplicado no caminho do bem.

  Jesus sempre nos avisou, sempre nos deu lições de desligamento da matéria e de busca pela evolução constante da moral. O mestre não tinha nem um travesseiro para dormir e nem por isso se queixava.

  Não te digo para doar tudo o que tens e nem que é errado ter um travesseiro confortável, tão pouco lhe digo para guardar tudo como quem preserva entulhos em "quartos de bagunça", mas em verdade lhes recomendo, vai e compartilha o teu supérfluo porque ele não lhe fará falta e quando ele acabar, compartilha também o teu necessário, pois no teu necessário ainda há muito supérfluo.

  Tem gente que diz que falta dinheiro para comprar o pão, mas não deixa de manter o serviço de internet, outros dizem que não conseguem comprar uma roupa nova, mas não deixam de comprar um celular novo, há quem diga que não tem condições de pagar uma escola para seu progresso, mas insiste em gastar nos fins de semana com bebidas e baladas. É importante notar que Deus provê o necessário para nossa sobrevivência, nós é que acabamos por exagerar e achamos que muitas coisas supérfluas são necessárias para nós quando na verdade não são.

  Nosso adiantamento moral pode ser ampliado e agilizado se nos esforçarmos nesse caminho de desapego. Temos muito a refletir aqui.

  Todos podem e devem fazer bom uso dos bens materiais que lhes são concedidos, mas entenda que não devemos adorá-los. Ter um carro para o seu conforto e para diminuir a distância não significa que se um dia não o tiver mais que o mundo acabará. O que nos é concedido é apenas um empréstimo, nada aqui é nosso. Da mesma forma que Deus concedeu, Ele pode tirar de nós.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Amor aos desafetos.


  O amor resume toda a Doutrina do Mestre Jesus.

  Em resposta à pergunta dos fariseus, sobre qual era o maior mandamento, ensinou que o amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos resumia toda a Lei.

  Mas quem será o próximo? Será apenas aquele que nos ama?

  Em outra passagem do Evangelho, o Rabi nos recomenda que amemos nossos inimigos, que façamos o bem a quem nos odeia e que oremos pelos que nos perseguem e caluniam.

  O Mestre nos fala que nenhum mérito teremos em amar somente quem nos ama ou fazermos o bem somente a quem nos faz o bem.

  Amar quem nos ama, quem nos trata bem, quem para nós só tem pensamentos bons não nos exige qualquer esforço, é natural de nossa parte. Sorrir a quem nos sorri, ser amável a quem é amável para conosco é fácil.

  O que ocorre, no entanto, é que costumamos amar somente quem tem atitudes amáveis para conosco.

  Pouco agimos com amor para com aqueles que não conseguem nos amar.

  A ideia de amar quem nos prejudica, quem para nós só tem pensamentos negativos, pode nos parecer um tanto absurda.

  No entanto, é preciso entendamos o que o Mestre nos quis transmitir.

  Ele não quis nos dizer que tenhamos para com nosso inimigo a ternura que dispensamos aos nossos amigos e irmãos, pois a ternura pressupõe confiança.

  Não se tem confiança verdadeira em quem nos dirige pensamentos negativos, pois os pensamentos criam uma corrente de fluidos e, se esses são impregnados negativamente, não há como inspirar bons sentimentos.

  Mas não devemos, em troca, emitir o mesmo padrão de pensamentos. Ou ter o mesmo tipo de atitudes de quem nos prejudica, pois assim nos igualamos a eles.

  Amar os inimigos não é, portanto, ter para com eles uma afeição que não é compatível com os sentimentos negativos que deles emanam e aos quais não somos indiferentes. Mas é não guardar ódio ou rancor ou desejo de vingança.

  Amar os inimigos é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem quaisquer condições impostas, o mal que nos tenham causado.

  É não opor nenhuma restrição à reconciliação com eles, é desejar-lhes o bem e não o mal, é experimentar alegria com o bem que lhes aconteça, é ajudá-los, se possível.

  É, por fim, jamais emitir pensamentos ruins e, muito menos ter atitudes negativas para com eles, abstendo-se por palavras ou por atos, de tudo aquilo que os possa prejudicar.

  Como Jesus nos recomendou, é oferecer a outra face, a face da benevolência e do perdão, frente alguma agressão moral, física ou material.

  É agir com caridade, pois, se amar o próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação deste princípio, e tal virtude representa uma das maiores vitórias contra o egoísmo e o orgulho.

Fonte: R.M.E.