sexta-feira, 6 de junho de 2014

A revolta pode não ser o melhor caminho.



  Em tempos de Copa do Mundo e de mudanças no governo de nossa nação brasileira, tenho visto muitos protestos e um uso indevido das redes sociais que ao invés de ajudar na solução do problema, apenas tem causado mais revoltas.

  Agora mesmo acabei de ver uma reportagem onde jornais sensacionalistas estão distorcendo as informações e causando pânico geral, como se o único interesse fosse vender, quando deveria ser o de informar a população. Acho que o caminho não é esse, creio que a verdade seja sempre o melhor a se dizer. Quem quiser verificar essas notícias, elas estão no link aqui.

  É certo que nosso Brasil, pátria do Evangelho, precisa de mudanças. Concordo também que temos que nos unir e votar conscientes. Mas não acredito que os protestos violentos serão a solução. Tão pouco as publicações nas redes sociais que recriminam ou acusam os governantes e que muitas vezes nem foram verificadas quanto a veracidade. Cada um de nós será julgado por Deus, não cabe ao homem julgar o homem, pois todos somos imperfeitos.

  Calma, não sou partidário do atual partido político dominante e nem apoio a corrupção, mas aprendi que cada povo tem o governo que merece e devemos lembrar que se a atual presidente está no poder é porque nós a elegemos. Mesmo que você não tenha votado nela, na hora do voto, somos todos por um e um por todos.

  Para me fazer compreender melhor, acho que precisamos buscar a sabedoria no mestre Jesus. Trago-vos abaixo um acontecimento na vida do mestre e que foi narrado no livro "Lázaro Redivivo", ditado pelo espírito Irmão X e psicografado por Francisco Cândido Xavier. Podemos comparar nossas atitudes com as atitudes daquele povo ignorante de 2.000 anos atrás e veremos que ainda há muita semelhança. Ninguém deve mudar de opinião porque eu estou pedindo, mas todos que lerem este texto devem cuidadosamente refletir nos ensinamentos que ele nos traz. Que a paz esteja com todos!

Capítulo 35 - RETIROU-SE, ELE SÓ

  Quando Jesus se fazia acompanhar pela multidão, na manhã rutilante, refletia, amorosamente, consigo mesmo:

  Ensinara as lições básicas do Reino de Deus aos filhos da Galiléia, que o seguiam naquele instante divino... Todos permaneciam agora cientes do amor que devia espraiar-se sobre as noções da lei antiga! que não poderia Ele fazer daqueles homens e mulheres bem informados? Poderia, enfim, alongar-se em maiores considerações, relativas ao caminho de retorno da criatura aos braços do Pai. Dilataria os esclarecimentos do amor universal, conduziria a alma do povo para o grande entendimento. Decifraria para os filhos dos homens os enigmas dolorosos que constrangem o coração. Para isso, porém, era indispensável que compreendessem e amassem com o espírito... Quantas pequenas lutas em vão? quantos atritos desnecessários? A multidão, por vezes, assumia atitudes estranhas e contraditórias.

  Diante dos prepostos de Tibério, que a visitavam, aplaudia delirantemente; todavia, quando se afastavam os emissários de César, manchava os lábios com palavras torpes e gastava tempo na semeadura de ódios e divergências sem fim... Se aparecia algum enviado do Sinédrio, nas cidades que marginavam o lago, louvava o povo a lei antiga e abraçava o mensageiro das autoridades de Jerusalém. Bastava, entretanto, que o visitante voltasse as costas para que a opinião geral ferisse a honorabilidade dos sacerdotes, perdendo-se nos desregramentos verbais de toda espécie... Oh! sim – pensava - todo o problema do mundo era a necessidade de amor e realização fraternal!

  Sorveu o ar puro e contemplou as árvores frondosas, onde as aves do céu situavam os seus ninhos. Algo distante o lago era um espelho imenso e cristalino, refletindo a luz solar. Barcas rudes transportavam pescadores felizes, embriagados de alegria, na manhã clara e suave. E em derredor das águas deslumbrantemente iluminadas, erguiam-se vozes de mulheres e crianças, que cantavam nas chácaras embalsamadas de inebriante perfume da Natureza.

  Agradecia ao Pai aquelas bênçãos maravilhosas de luz e vida e continuava meditando.

  - Porque tamanha cegueira espiritual nos seres humanos? não viam, porventura, a condição paradisíaca do mundo? porque se furtavam ao concerto de graças da manhã? Como não se uniam todos ao hino da paz e da gratidão que se evolava de todas as coisas? Ah! toda aquela multidão que o seguia precisava de amor, a fim de que a vida se lhe tornasse mais bela. Ensiná-la-ia a conferir a cada situação o justo valor. Quem era César senão um trabalhador da Providência, sujeito às vicissitudes terrestres, como outro homem qualquer? não mereceria compreensão fraternal o imperador dos romanos, responsável por milhões de criatura? algemado às obrigações sociais e políticas, atento ao superficialismo das coisas, não era razoável que errasse muito, merecendo, por isso mesmo, mais compaixão? E os chefes do Sinédrio? não estavam sufocados pelas orgulhosas tradições da raça? poderiam, acaso, raciocinar sensatamente, se permaneciam fascinados pelo autoritarismo do mundo?

  Oh! refletia o Mestre – como seria infeliz o dominador romano, a julgar-se efetivamente rei para sempre, distraído da lição dura da morte! Como seria desventurado o Sumo Sacerdote, que supunha poder substituir o próprio Deus!... Sim, Jesus ensinaria aos seus seguidores a sublime sabedoria do entendimento fraternal!

  Tomado de confiante expectativa, voltou-se o Messias para o povo, dando a entender que esperava as manifestações verbais dos amigos, e a multidão aproximou-se d’Ele, mais intensamente.

  Alguns apóstolos caminhavam à frente dos populares, em animada conversação.

  – Rabi – exclamou o patriarca Matan, morador em Cafarnaum –, estamos cansados de suportar injustiças. É tempo de tomarmos o governo, a liberdade e a autonomia. Os romanos são pecadores devassos, em trânsito para o monturo. Estamos fartos! É preciso tomar o poder!

  Jesus escutou em silêncio, e, antes que pudesse dizer alguma coisa, Raquel, esposa de Jeconias, reclamou asperamente:

  – Rabi, não podemos tolerar os administradores sem consciência. Meu marido e meus filhos são miseravelmente remunerados, nos servias de cada dia. Muitas vezes, não temos o necessário para viver como os outros vivem.

  Os filhos de Ana, nossa vizinha, adulam os funcionários romanos e, por esse motivo, andam confortados e bem dispostos!...

  – À revolução! à revolução! – clamava Esdras, um judeu de quarenta anos presumíveis, que se acercou, desrespeitosamente, como adepto apaixonado, concitando o líder prudente a manifestar-se.

  – Rabi – suplicava um ancião de barbas encanecidas –, conheço os prepostos de César e os infames servidores do Tetrarca. Se não modificarmos a direção do governo, passaremos fome e privações...

  Escutava o Senhor, profundamente condoído. Verificava, com infinita amargura, que ninguém desejava o Reino de Deus de que se constituíra portador.

  Durante longas horas, os membros da multidão recriminaram o imperador romano, atacaram patrícios ilustres que nunca haviam visto de perto, condenaram os sacerdotes do Templo, caluniaram autoridades ausentes, feriram reputações, invadiram assuntos que não lhes pertenciam, acusaram companheiros e criticaram acerbamente as condições da vida e os elemento atmosféricos...

  Por fim, quando muito tempo se havia escoado, alguns discípulos vieram anunciar-lhe a fome que castigava homens, mulheres e crianças. André e Filipe comentaram calorosamente a situação. Jesus fitou-os de modo significativo, e respondeu, melancólico:

  – Pudera! Há muitas horas não fazem outra coisa senão murmurar inutilmente!

  Em seguida, espraiou o olhar através das centenas de pessoas que o acompanhavam, e falou comovidamente:

  – Tenho para todos o Pão do Céu, mas estão excessivamente preocupados com o estômago para compreender-me.

  E tomado de profunda piedade, ante a multidão ignorante, valeu-se dos pequenos pães de que dispunha, abençoou-os e multiplicou-os, saciando a fome dos populares aflitos.

  Enquanto os discípulos recolhiam o sobejo abundante, muitos galileus batiam com a mão direita no ventre e afirmavam:

  – Agora, sim! estamos satisfeitos!

  Contemplou-os o Mestre, em silêncio, com angustiada tristeza, e, depois de alguns minutos, entregou o povo aos discípulos e, segundo a narração evangélica, “tornou a retirar-se, ele só, para o monte”.

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