quarta-feira, 2 de julho de 2014

A difícil manutenção do equilíbrio.


  Na semana passada me deparei com uma situação a qual podemos tirar boas lições e por isso decidi compartilhar, não no intuito de me colocar superior aos outros, tão pouco no de rebaixar alguém, mas de nos permitir reflertir sobre o que faríamos se estivéssemos nesta situação.

  Todos os que se dizem cristãos e praticam os ensinamentos de Jesus são postos à prova, pois não existe cristianismo sem a prática da caridade. O que precisamos entender é se estamos prontos para praticá-la e o que podemos exercitar para melhorá-la.

  Durante uma viagem de ônibus do centro da cidade para o meu bairro, logo no segundo ponto de ônibus o motorista parou, abriu a porta dianteira para a entrada de passageiros e a traseira para os que desejassem descer do veículo. No entanto, 4 pessoas trajadas como ciganos, e realmente eram ciganos, entraram pelas portas de trás (as que são para sair), sentaram no ônibus e fingiram que ninguém viu, mas o cobrador viu e se alterou, chamando imediatamente o motorista para tirá-los de lá e fazê-los entrar pela frente para pagarem a passagem como qualquer pessoa normal e sem privilégios.

  Espantado com a situação, mas certo de que era seu dever tomar uma atitude, o motorista trabalhador foi pedir educadamente para que as 4 ciganas descessem, mas o que ninguém esperava era que elas continuassem fingindo que não era com elas o problema.

  Notei que o motorista começava a repetir o mesmo pedido e ia se exaltando ao ponto de impor a seguinte condição: enquanto vocês 4 não descerem, o ônibus não vai sair do lugar!

  Em meio à situação, os passageiros começaram a se assustar, pois o que já era estranho de se ver, estava se tornando uma baixaria. A vibração daquelas pessoas começou a baixar a tal ponto que eu comecei a sentir que o ambiente poderia converter-se em algo mais prejudicial ainda. E realmente aconteceu.

  Começaram os protestos, passageiros já não pediam mais, mandavam elas descerem, xingavam, ameaçavam e então as 4 ciganas que até então não falavam nada começaram a reagir, pois parecia que era o que elas queriam, desequilibrar todo mundo ali. Devolveram as ofenças, riam, escarneciam, se apresentavam como pessoas com direito de ali estarem sem ter que pagar, ou se o motorista quisesse, elas pagavam mas não desceriam e entrariam pela porta da frente passando pela catraca. O motorista ameaçou chamar a polícia.

  Com muito custo e com muita má vontade elas desceram, uma a uma, mas demoradamente e subiram pela porta da frente. Pagaram a passagem, sim elas tinham dinheiro para pagar, mas as ofensas aumentaram e as ameaças também.

  Enquanto isso, em mim, pensamentos de revolta por ver toda aquela situação tomaram minha mente, lutei, esforcei-me para jogá-los fora, precisava não entrar no campo vibracional do inimigo, pensei no mestre, o que Jesus faria em meu lugar? Certamente o mestre auxiliaria se sentisse que aquelas pessoas tinham condições de serem auxiliadas, mas a meu ver não tinham. Talvez Jesus descesse do ônibus e caminhasse até seu destino calmamente sem se perturbar, pois Ele nos ensinou a dar bons exemplos e não a forçarmos o próximo a mudar porque nós queremos. O fato é que eu precisava encontrar um meio de conservar a minha paz e ao mesmo tempo auxiliar aquelas pessoas, mas como?

  Foi então que, na minha condição de ser imperfeito e com a compreensão da minha distância do mestre Jesus na escala evolutiva do espírito, pus-me em oração, afim de pedir o socorro necessário. Aos poucos os ânimos começaram a se acalmar. Com o ônibus em movimento, as pessoas seguiram o trajeto, os que ainda insitiam na discussão aos poucos foram se dando por vencidos e descendo nos pontos que desejavam. As ciganas em meio a zombarias típicas de espíritos pouco esclarecidos que eram, reduziram suas provocações até que se acalmaram e ficaram em silêncio.

  Uma situação que para muitos pode parecer simples e que não mereceria tanta atenção, mas que para os mais sensíveis e praticantes da difícil arte de amar o próximo como ele é, torna-se uma oportunidade de entendê-lo, perdoá-lo pelos seus erros e exercitar a caridade, seja com palavras amigas, seja com o silêncio e uma prece de coração ou qualquer outra forma que levasse todas aquelas pessoas a um ambiente pacífico.

  O fato é que, em observação, concluí que a revolta dos passageiros gerou mais problemas, enervou os ânimos, pois a violência gera violência. Enquanto que meu silêncio e a minha prece por todos que ali estavam pareceu surtir um efeito mais positivo, mesmo com as minhas limitações para o auxílio naquele momento.

  Como odiar criaturas tão sofridas, desesperadas ao ponto de prejudicarem o próximo sem terem a percepção de que o fazem? Por mais que uns vejam maldade no ato delas, não são elas os cegos e surdos a quem Jesus se referia no passado? E se o problema tivesse sido mais agravado, por exemplo, se ao iniciarem as ofensas, uma delas estivesse portando uma arma, como uma faca e revidasse? Não teria sido melhor recorrer ao silêncio e a prece e deixar que o motorista, encarregado de impor a ordem no veículo prosseguisse gentilmente solicitando a saída delas e informando que se não o fizessem teria que acionar a polícia, a qual tem o preparo para lidar com situações do tipo?

  É uma situação difícil, mas importante para nossa reflexão. Diariamente enfrentamos situações piores, revoltas, agressões, roubos e nossas vibrações podem despencar se não formos vigilantes. Quem nunca sentiu o sangue ferver quando um irmão o ofende, cravando um espinho naquela ferida que ainda está aberta? Como se segurar sem o concurso da prece reequilibrante e socorrista aos necessitados? Se não buscarmos compreender agora, talvez ao nos depararmos mais tarde com tais situações, venhamos a agir de forma errada e causemos mais problemas ainda.

  Meditemos, pois, sobre a questão: "como manter o equilíbrio diante de situações de provocação?"

  E quem desejar, deixe o seu comentário, pois ele é muito importante para o crescimento de todos nós!

2 comentários:

  1. Nossa, Igor, que história. Eu já tive experiências em tentar ajudar uma família de ciganos e não foi fácil.
    Enquanto lia a sua história, me transportava para dentro dela. Consegui sentir toda a sua emoção.
    Muito obrigada por compartilhar conosco!
    Abraços fraternos!

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    1. Olá Gabriela, eu é que lhe agradeço pela visita. Que bom que consegui transmitir a emoção, pois acho muito difícil de se expressar pela escrita e se fazer entender de forma clara. Paz e luz!

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